A educação deve estar integrada à vida concreta das pessoas. Por isso, o grande valor deste livro dos autores Mauri Luiz Heerdt e Paulo De Coppi. Educar através das datas importantes que as famílias, as comunidades e as próprias nações celebram ao longo do ano, tornam esta obra um subsídio para ser utilizado por diversas disciplinas na escola, como também na fomação de grupos de jovens, movimentos, pastorais, associações, ONGs e outros grupos comprometidos com a construção de um mundo mais solidário e justo para todos.
Com o "Educando para a Vida", termina aquele corre-corre para preparar uma aula, um encontro, uma palestra... A celebração das datas ficará bem mais interessante e você terá uma verdadeira biblioteca num só livro.
Segue , abaixo uma das reflexões contidas no livro. Como esta, há muitas outras, para reflexão das datas mais importantes do ano.
28 de Abril: Dia da Educação
Educação: o grande investimento
O QUE É EDUCAÇÃO
A educação é a busca constante de pessoas e de grupos na construção de sua própria identidade e história. Ela acontece de forma permanente, desde o ventre materno, desenvolvendo a capacidade física, psíquica, espiritual, social, intelectual e moral das pessoas.
Nesse processo, o ser humano vai realizando-se em quatro relações básicas: com o mundo, com os demais seres humanos, consigo mesmo e com Deus.
A educação não se confunde com a mera adaptação do indivíduo ao meio, mas trata-se de uma atividade criadora que abrange o homem em todos os seus aspectos. Ela começa na família, continua na escola e se prolonga por toda a existência humana. Além de conhecimentos, a pessoa adquire, pela educação, uma série de hábitos e atitudes.
A educação pode ser recebida em escolas, Igrejas, empresas, fundações, cooperativas de pais, organizações de bairro, sindicatos, movimentos sociais... ou, informalmente, no dia-a-dia.
A educação escolar, embora livre para a iniciativa privada, é um dever do Estado e um direito do cidadão, da família e da sociedade (Const., art. 209).
SEM EDUCAÇÃO NÃO HÁ SOLUÇÃO
A educação tem de ajudar a despertar em cada homem e mulher a consciência de sua própria dignidade, como também a responsabilidade de fazer a sua parte para possibilitar vida de qualidade para todos.
Um desafio central para a educação é promover a pessoa humana numa sociedade de exclusão, onde grande número de pessoas são simplesmente consideradas dispensáveis. Só o acesso ao conhecimento e à valorização da pessoa humana podem forjar uma nova sociedade onde a justiça, a paz e a fraternidade sejam as características fundamentais.
PROBLEMAS DA EDUCAÇÃO
Destacamos uma série de problemas que afetam a educação no Brasil:
• Acesso à escola - Há um imenso grupo de pessoas excluídas do sistema escolar: menores trabalhadores, meninos de rua, índios, ribeirinhos, deficientes, trabalhadores rurais, migrantes etc. Mesmo tendo escola gratuita perto de casa, muitas vezes faltam recursos para adquirir roupa, material escolar..
• A repetência - Significa perda de investimentos, perda de auto-estima e desinteresse para os estudos.
• Evasão escolar - É um dos grandes problemas da educação no Brasil. Muita gente começa a estudar e logo abandona a escola.
• Remuneração e qualificação do professor - No Brasil, o profissional da educação pertence à categoria de trabalhadores que recebe um dos salários mais baixos. Outro problema é a qualificação: 8% dos professores sequer possuem o primeiro grau e 28% são concluíram o segundo grau.
• Recursos - A educação deveria ser o principal investimento de uma sociedade. No entanto, o Brasil, além de investir pouco, investe mal!
• Qualidade da educação - As recentes avaliações sobre a qualidade da educação brasileira não são boas e, portanto, ela precisa ser muito melhor qualificada.
A EDUCAÇÃO NA BÍBLIA
Na visão bíblica, homem e mulher são chamados a continuar a ação criadora de Deus. A imagem que se usa para expressar isso é a afirmação bíblica de que competia ao casal humano cultivar o jardim que Deus lhe confiara. Cultura é isso: cultivar a vida, fazê-la florescer e frutificar. No entanto, não se nasce sabendo. Cada um tem que, aos poucos, aprender que pertence a uma espécie que tem mudado a história. Que a pessoa vai se apropriando de sua herança humana através da educação, que deve transmitir-lhe o conjunto de experiências e valores de sua cultura.
Dar a alguém a oportunidade de crescer e aprender a cultivar a si mesmo e seu mundo, de ler as palavras e a realidade à sua volta, de ser cidadão..., é garantir-lhe algo fundamental para a sua própria natureza de ser humano e para a sua felicidade.
A Bíblia inteira é a história de um povo que, gradualmente e até com os erros, aprimorou seu relacionamento com os outros, com o mundo e com Deus. Um exemplo: por trás das “leis da santidade”, que encontramos no Levítico, estão muitos preceitos educativos de respeito à vida, de justiça social e até de cuidados higiênicos.
A sabedoria popular também é muito importante: ela faz parte da Escritura tanto quanto as declarações de gente que tinha estudo mais sofisticado. Os livros sapienciais recolhem e valorizam a sabedoria do povo como algo útil para a vida comunitária, para a promoção da justiça e da solidariedade.
Sábio é quem escolhe certo, aquele que se guia por princípios justos, o que age
bem, segundo a Lei de Deus.
JESUS, O MESTRE
A suprema revelação da sabedoria de Deus se dá em Jesus, o filho do carpinteiro, vindo da desprestigiada Galiléia. O período de convívio com os discípulos foi um processo educativo no qual Jesus foi preparando-os para a missão. O processo aconteceu através do diálogo, do convívio, da amizade... e da paciência. Os discípulos muitas vezes não entendiam o projeto de Deus.
Jesus ensina utilizando um método narrativo típico da cultura de seu povo: as parábolas. Dessa maneira ele permite que o outro tire suas próprias conclusões. A parábola também facilita a memorização, o que foi muito importante para aquela cultura que privilegiava a transmissão oral do saber.
Jesus critica e denuncia aqueles que se apropriavam do conhecimento da lei de Deus e não partilhavam esse saber para servir o povo, usando-o para assegurar seus próprios interesses: “Ai de vós, doutores da lei, que tomastes a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes e impedistes aos que queriam entrar!” (Lc 11,52).
A PEDAGOGIA DE JESUS
No encontro com os desanimados discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), Jesus ressuscitado lhes devolve o ânimo perdido. Faz isso seguindo alguns passos que inspiram nossa prática pedagógica:
1º) procura saber a situação deles, pergunta sobre o momento que estão vivendo;
2º) argumenta a partir daquilo que já conhecem;
3º) provoca a reflexão para avançarem na interpretação dos fatos;
4º) segue com eles pelo caminho e partilha a refeição.
Ao refletirem com Jesus, algo ia acontecendo neles. “Não se nos abrasava o coração
quando ele nos falava?” E, por conta dessa “brasa”, voltaram a Jerusalém para serem, eles mesmos, anunciadores da boa notícia: a ressurreição de Jesus.
Antes da Ascensão, Jesus promete: “O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos recordará o que tenho dito” (Jo 14,26).
O Espírito Santo é, de fato, o grande santificador e educador das comunidades cristãs, ensinando-as a viver o Evangelho de Jesus.
EDUCAÇÃO NÃO É ESMOLA
“Buscai antes o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Lc 12,31). Jesus é muito claro em matéria de prioridades: primeiro vêm a justiça e os valores do Reino. Nada pode ficar acima disso. Tal critério vale também para a educação: ela deve promover os valores que concretizam o Reino: “tudo o mais virá por acréscimo”.
Educação, portanto, não é esmola que satisfaz à necessidade hoje e deixa a pessoa novamente necessitada amanhã, mas o instrumento que transforma a pessoa, tornando-a responsável pelo seu próprio progresso e pelo bem da comunidade. Estamos cansados de ouvir que educação é prioridade em programas de governo.
No entanto, essa prioridade deve concretizar-se em investimentos que proporcionem qualidade de vida às famílias: priorizando a escola fundamental, combatendo o analfabetismo, garantindo salários dignos aos professores, oferecendo treinamento adequado para educadores populares, possibilitando a recuperação educacional de presos e drogados e o atendimento dos deficientes.
CONCLUINDO
Já que vivemos num mundo cada vez mais integrado e mundializado que exige gente capaz de estabelecer relações e fazer parcerias, devemos convencer-nos de que só se aprende a participar, participando.
A educação nunca é neutra. Estando ou não conscientes, os agentes de educação optam por uma educação solidária ou por uma educação egoísta e apenas competitiva; por ideais de promoção do bem comum ou pelo individualismo.
Todos já escutaram esta afirmação: “Com estudo já está difícil, imagine como arrumar emprego sem estudo nenhum!”. Infelizmente, muita gente ainda não tomou consciência disso. Somente teremos uma vida melhor com boa educação.
PARA REFLETIR
1. Você concorda com a afirmação de que a educação é o principal instrumento de transformação que podemos ter? Por quê?
2. Como vai a educação na sua cidade? Quais seus principais problemas e quais as qualidades?
3. Como podemos contribuir para melhorar o nível da nossa educação e estendêla àqueles que não têm acesso a ela?